A “não busca” da felicidade

“Felicidade é uma palavra vaga…
Vamos dizer ‘bem-estar’.” – Matthieu Ricard

 

“Trying too hard” é uma expressão em inglês para a qual não consigo pensar em uma tradução direta, mas tem a ver com excesso.

Quando alguém tenta agradar outra pessoa, mas se esforça tanto para isso, ou está tão focado nisso, que acaba não percebendo que está limitando o espaço ou as escolhas do outro, extrapolando limites – isso quer dizer que a pessoa está “tentando demais”, numa tradução bem literal.

Você se torna incoveniente para quem está ao seu redor.

Oliver Burkeman (jornalista do The Guardian) aponta estudos simples para mostrar como “se esforçar em demasia” para, ou “tentar muito arduamente”, encontrar a felicidade pode ter exatamente o efeito contrário. Ou seja, você pode se tornar inconveniente para você mesmo.

Comecei a ler The Antidote: Happiness for People Who Can’t Stand Positive Thinking*, de Burkeman, antes das minhas férias. Ainda estou nos primeiros capítulos.

Odeio essa ideologia de pensar que tudo vai dar certo, imaginar “com força, com fé” que você vai ficar rico etc. Se não der certo, a culpa é sua: você não acreditou o suficiente, deixou algo negativo se infiltrar no seu pensamento positivo. Bem feito.

O livro de Burkeman fala de felicidade para quem, como eu, odeia essa história de “pensamento posivito”.

 

Placa em frente a uma loja em Valletta, capital de Malta: "Você não pode comprar felicidade, mas você pode comprar sorvete"... o que é quase a mesma coisa, como dizem por aqui - Fotos: Melissa Becker
Placa em frente a uma loja em Valletta, capital de Malta: “Você não pode comprar felicidade, mas você pode comprar sorvete”… o que é quase a mesma coisa, como dizem por aqui – Fotos: Melissa Becker

 

Como Matthieu Ricard diz nesta palestra para uma TED Conference, felicidade é algo muito vago. Honestamente, não é um estado permanente.

Mesmo assim, o ser humano cultua a felicidade. Sua busca é uma obsessão generalizada.

“Tentar menos” pode ser a resposta para finalmente encontrá-la em meio ao seu bem-estar.

* * *

Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda no básico em termos de saúde, acesso à cultura, educação etc, pelo menos para quem vive em uma democracia, com liberdade e direitos respeitados. E algumas recompensas.

As férias que tive neste ano ao lado de pessoas especiais, com experiências bacanas, me serviram como exemplo. Valeram como recompensas por um ano duro de trabalho.

Escrevo esse post no voo de volta de Malta para a Inglaterra. Agora tenho mais um ano inteiro de ralação para atingir esse “pico de realização pessoal” de novo. O que fazer nesse meio tempo? Mirar no bem-estar no meu cotidiano mesmo. Sem “tentar em demasia”.

 

Sorvete_Malta_Melissa_Becker02
Felicidade vem em vários sabores

* O livro de Burkeman tem tradução para o português: Manual Antiautoajuda – Felicidade para Quem Não Consegue Pensar Positivo. Não gosto dessa tradução para o título. Literalmente, a tradução do nome to livro é O Antídoto – Felicidade para Quem Não Suporta Pensamento Positivo, a qual, para mim, está mais de acordo com o conteúdo da obra.

** Comentei antes que talvez começasse a escrever sobre bem-estar. Ainda não sei se estou fazendo bem, se irei continuar.

4 comentários em “A “não busca” da felicidade

  1. Que lindo é bem assim, as vezes canso minha mente com exercícios de pensamentos positivos, por puro medo de fazer o contrario e tudo dar errado. Obrigado o livro já está na minha lista de compras. Bjs
    Meire Brentan /www.artebrentan.com.br

  2. Que lindo é bem assim, as vezes canso minha mente com exercícios de pensamentos positivos, por puro medo de fazer o contrario e tudo dar errado. Obrigado o livro já está na minha lista de compras. Bjs
    Meire Brentan /www.artebrentan.com.br

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