Do Androids Dream of Electric Sheep?

* Livro disponível nas bibliotecas públicas de Birmingham

Reprodução

Clássico da ficção-científica, Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick (Gollancz), foi o tipo de leitura de um gênero que não está entre os meus preferidos, mas que, no fim, gostei.

Se vi Blade Runner (filme baseado na obra), esqueci completamente da história – por isso, não posso fazer comparações com o filme neste momento, mas li que haveria personagens com uma certa importância no livro que foram totalmente descartados na versão para o cinema.

Logo no início da obra – que, no Brasil, tem o título bem menos inspirado de O Caçador de Androides, pela editora Rocco -, o leitor descobre o que a “ovelha elétrica” do título em inglês significa no universo pós-guerra imaginado por Dick. Possuir um animal é sinal de status. Quem não pode ser dono de um vivo tenta, ao menos, manter as aparências com um falso.

Animais foram, em sua maioria, extintos após uma grande guerra que deixou o planeta inóspito. Com a Terra em ruínas como moradia para “humanos inferiores”, o restante da raça parte para a colonização de Marte. De lá, um grupo de androides foge da servidão imposta por humanos e se esconde na Terra.

É do mercenário Rick Deckard a missão de abatê-los em uma San Francisco pós-guerra. Dono de uma ovelha elétrica, ele sonha com o animal que poderá adquirir com o dinheiro assim que concluir sua missão e voltar para o lar, em Marte, com sua esposa.

A narrativa é fluida e envolve mais o leitor assim que Deckard elimina o segundo androide – sua lista tem sete, de uma geração tão perfeita tecnologicamente que é difícil de distingui-los de pessoas reais.

A caçada em si e os dilemas do protagonista foram o que mais me empolgaram na história. Isso faz com que outras questões no livro – como a figura do “poder supremo”, por exemplo – fiquem meio de lado ao longo da leitura. O problema é que, no fim do livro, parece que faltou refletir mais sobre isso para que o final tenha mais sentido (ou um sentido mais claro).

O dilema dos androides também é interessante. Uma das minhas partes favoritas:

“‘(…) Não tenho como dizer. Como é ter um bebê? Como é nascer? Nós não nascemos; nós não crescemos; ao invés de morrer de alguma doença ou de velhice, nos desgastamos como formigas. Formigas de novo; é isso que somos. Não você, quero dizer eu. Máquinas automáticas quitinosas que não estão realmente vivas’. Ela virou a cabeça para o lado e disse alto: ‘Eu não estou viva! Você não está indo para a cama com uma mulher. Não fique desapontado; ok? Você já fez amor com uma androide antes?'”

              (p. 168 – tradução livre)

Não sendo uma leitora de livros de ficção científica, não sei se outros autores exploram mais o ponto de vista dos androides, mas foi um detalhe que curti na história. Afinal, eles sonham com ovelhas elétricas? 

> Veja o que mais você pode encontrar no sistema público de bibliotecas de Birmingham

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