The British Dream

* Livro disponível nas bibliotecas públicas de Birmingham

britdream

Meu interesse pelo tema imigração (e, principalmente, sobre o país no qual sou imigrante) me levou a ler The British Dream – Successes and Failures of Post-War Immigration, de David Goodhart.

A melhor definição para a obra, em uma frase, está na contracapa, em palavras de Michael Ignatieff: “Você não vai concordar com tudo o que ele [Goodhart] diz, mas ele dá início a um debate vital no centro das políticas britânica e europeia”.

Apesar da primeira parte ser difícil de digerir para quem, como eu, não tem um background em política do Reino Unido (e onde o autor já lança a maioria de suas ideias polêmicas), a leitura valeu principalmente pelos capítulos sobre a história da imigração para o país após a Segunda Guerra Mundial, dividida em duas fases: a primeira grande chegada (de 1948 a 1992) e a segunda (de 1997 aos dias de hoje).

De veteranos das colônias britânicas que lutaram pela pátria-mãe durante a guerra, passando por profissionais “importados” para o NHS, até jovens de vilas rurais na Ásia que se casam com filhos de imigrantes nascidos e criados no Reino Unido, os motivos para a imigração ao longo dessas décadas são diversos – assim como a trajetória que cada grupo de imigrantes (e suas gerações) tomou para se integrar (ou não) à sociedade britânica.

Tudo isso em um reino com diferentes identidades nacionais (inglesa, galesa, escocesa e irlandesa) e de classe (média e white working, só para citar as mais conhecidas), faz surgir a questão: o que é ser um cidadão britânico, afinal de contas?

Apesar de Londres ter um grande número de brasileiros que chegaram na segunda fase proposta por Goodhart, não há menção no livro à imigração vinda das terras tupiniquins. Mas ele menciona constantemente grupos que encontramos em Birmingham, como caribenhos, indianos, paquistaneses, somalis e poloneses. 

A cidade mesmo é citada por incidentes passados – confrontos em que diferentes etnias ficaram lado a lado para lutar por um objetivo em comum (em Handsworth, na década de 80) ou que brigaram entre si (em Lozells, nos anos 2000).

Lançado em 2013, o livro ainda traz questões recentes, como a redução da imigração pretendida pelo atual governo conservador (que atinge estudantes de fora da União Europeia), e termina com as visões de Goodhart sobre o que fazer a partir de agora para “reajustar” o jeito que a Grã-Bretanha pensa sobre imigração. Com um ponto, concordo: o governo britânico precisa fazer mais do que vem fazendo para uma melhor integração.

> Veja o que mais você pode encontrar no sistema público de bibliotecas de Birmingham

Read the Printed Word!

0 thoughts on “The British Dream

    1. É muito informativo, Karla, embora às vezes eu senti que precisava saber melhor como as coisas são no Reino Unido para poder entender melhor o que ele queria dizer e de que “lado” ele está.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *