3 pausas pelo mundo nesta semana

Há semanas em que “coisas boas” nesta série que faço não é termo adequado, e essa é uma delas. Como jornalista, não posso ignorar o que (finalmente) chegou às manchetes nesta semana.

 

1) Antes de a morte do menino sírio Aylan Kurdi abrir os olhos do mundo para a situação dos refugiados, o Channel 4 levou ao ar na segunda-feira o ótimo documentário Breaking Into Britain: The Lorry Jumpers, mostrando a rotina dos que tentam sair de Calais, se escondendo em um caminhão com o Reino Unido como destino.  

 

2) A imagem dá um nó na garganta, para dizer o mínimo (naqueles que são pais e nos que não são também), mas acho importante ler a boa reflexão sobre o poder da fotografia que o Time publicou. Vejo a publicação da foto pela mídia como Peter Bouckaert, diretor de emergências da organização Human Rights Watch, espera:

“Minha esperança é que essa imagem não irá apenas nos chocar, mas nos motivar a ter um comprometimento pessoal para tentar parar essas mortes sem sentido no Mediterrâneo. Se conseguir isso, será uma imagem que contribuiu muito para o mundo”.

 

3) Que a mobilização iniciada nesta semana tenha resultados rápidos e de longo prazo. Viu-se impacto na decisão do premier David Cameron (que, de certa forma, depois “meio que deu pra trás”). O que tem chamado a atenção, além de iniciativas como a dos clubes de futebol da Inglaterra e a do jornal local de Birmingham para torná-la uma cidade-santuário para refugiados, é principalmente a ação de indivíduos – do bilionário egípicio que quer comprar uma ilha para abrigar refugiados ao pessoal do meu trabalho que está recolhendo doações para quem está em Calais. Vejo brasileiros compartilhando uma notícia de março sobre o Brasil ser o país que mais tem abrigado sírios – que o Brasil, mesmo na situação que está, possa continuar dando alguma contribuição (incluindo ações para amenizar o choque cultural dos que chegam).

 

E mais: Já estava no meu radar, mas ainda não tive tempo de ter, o livro Illegality, Inc.: Clandestine Migration and the Business of Bordering Europe, de Ruben Andersson (Ilegalidade Inc.: Migração Clandestina e o Negócio de Fronteira na Europa, em tradução bem livre). Nele, o autor – que é jornalista e antropologista – conta como é a viagem clandestina desde o Senegal e Mali até a ponta da África mais próxima da Espanha (Ceuta e Melilla), por onde milhares tentam alcançar a Europa, e quem ganha dinheiro com isso.

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