Fotorrealismo no Gas Hall

Reprodução
Untitled (4 VWs), de Don Eddy (1971) – Imagens: Reprodução

Birmingham é a única cidade britânica a receber a primeira grande retrospectiva internacional de fotorrealismo, com obras dos principais artistas do movimento. A exposição Photorealism pode ser conferida no Gas Hall, até 30 de março.

São pinturas hiper-realistas de objetos e cenas do cotidiano, que exploram a relação dessa arte com a fotografia.

Inicialmente, os artistas enfrentaram críticas por sua arte copiar fotos – mas não há lente que faça esses ângulos sem distorções.

A primeira fase do gênero, nos anos 60, é fortemente influenciada pela cultura dos Estados Unidos, seu local de origem.

Típicos ícones americanos, como automóveis, estradas e diners, são temas predominantes. Entre meus preferidos está Davis Cone, que recriava em tela as fachadas de cinemas em estilo art deco. 

A precisão do traço, a fidelidade com a perspectiva e a atenção absoluta aos detalhes são características encontradas em todas as obras. Em Pappy’s Place (abaixo), por exemplo, John Baeder alcança realismo até mesmo na ferrugem do botijão de gás.

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Pappy’s Place, de John Baeder (1985)

Reflexos em poças d’agua (como em Rosie’s Diner, de Robert Gniewek) e em vitrines (em Sequined Mannequins, de Tom Blackwell) são outros detalhes fiéis. No entanto, ao contrário de uma fotografia, a projeção do fotógrafo e da câmera não correm o risco de aparecer por acidente na imagem final.

Em alguns quadros, chega a ser difícil encontrar elementos que revelem que aquilo é uma pintura em tela, e não uma fotografia.

Na década de 1980, o fotorrealismo tornou-se mais internacional. As pequenas cidades americanas perdem espaço para cenas de grandes centros urbanos.

Gator Chomp, by Peter Maier (2007-08)
Gator Chomp, de Peter Maier (2007-08)

Interessante também notar as variações dentro do mesmo tema, como as máquinas lustrosas retratadas por Peter Maier (que trabalhou como designer para a General Motors) em contraste às carcaças abandonadas de John Salt, artista de Birmingham, em referência à decadência social.

A geração atual de fotorrealistas inclui artistas como Raphaella Spence, autora do belo Grand Canal, um retrato de Veneza, e Anthony Brunelli, com sua hiper-realista cena do mercado de Hanoi.

https://www.youtube.com/watch?v=jCg50XUCgZc

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