Grupo Corpo no Hippodrome

Sinto falta de ver espetáculos brasileiros por aqui. Por mais que as produções inglesas primem pela excelência, tem algo inigualável.

Assistindo ao Grupo Corpo ontem à noite no Birmingham Hippodrome, esse je ne sais quoi se traduziu em pura energia no palco – tanto da coreografia em si, quanto do preparo dos bailarinos.

É imperdível: a companhia mineira de dança fará mais uma apresentação hoje (dia 29), às 19h30min.

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A obra Sem Mim foi apresentada na primeira parte do espetáculo.

É mais lírica do que o segundo balé da noite, Parabelo. A trilha sonora é baseada na obra de um trovador medieval da cidade espanhola de Vigo, chamado Martín Codax.

Entre as vozes que acompanham as canções do século 13, estão as de nomes como Milton Nascimento e Chico Buarque.

Em movimentos precisos, os bailarinos reproduziam o vaivém das ondas do mar – com avanços e recuos, calma e fúria – não apenas em passos, mas até mesmo com as vértebras de sua coluna.

Por vezes, parecia haver muitas coisas acontecendo no palco ao mesmo tempo.  A saída era “eleger um jeito de olhar para aquilo tudo”.

O cenário se resumia a uma enorme peça de trama sintética, que assumia diferentes formas ao longo do espetáculo: desde arredondada, como se fosse o sol, a uma espécie de tenda onde um casal de bailarinos dança.

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Na segunda parte da performance apresentada em Birmingham, Parabelo começa em um tom mais sombrio.

Mas não se engane: é considerada pelo próprio coreógrafo da companhia, Rodrigo Pederneiras,  “a mais brasileira e regional” de suas criações.

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Assim, a luz e as cores aparecem aos poucos, no ritmo cadenciado do baião, com cantos e marcação de pé. De inspiração sertaneja, o balé tem trilha composta por Tom Zé e José Miguel Wisnik.

Destaque para os painéis com fotos de ex-votos de igrejas interioranas que servem como cenário a partir de um determinado ponto da apresentação.

É no final que cores fortes e quentes dominam o palco, em um encerramento em que os bailarinos demonstram vigor com sorriso em seus rostos.

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P.S.: Eu poderia continuar escrevendo, incluindo fotos e vídeos, mas mesmo assim não seria suficiente para descrever a beleza do trabalho do Grupo Corpo.

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Uma novidade que o Hippodrome trouxe para essa apresentação da companhia mineira de dança foi o #tweetseats: basicamente, pessoas na plateia tuitando sobre a apresentação durante o espetáculo.

Ainda não tenho opinião definida sobre a “tática” de divulgação, mas posso garantir que a impressão deles rendeu tuítes muito engraçados (confira a compilação no Storify aqui)!

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Ficou com vontade de ver o Grupo Corpo? Ainda dá tempo: ingressos para a apresentação desta noite no Birmingham Hippodrome podem ser adquiridos neste link (valores a partir de £10).

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