NT Live: Hamlet

Foi por acaso que assisti a estreia de NT Live: Hamlet, com Benedict Cumberbatch, no mac birmingham, na última quinta-feira.

Fui com colegas de trabalho que tinham um ingresso sobrando, apenas sabendo que era a exibição no cinema da montagem no Barbican, em Londres.

E estava descrente: esse negócio de “teatro na tela do cinema” funciona mesmo? Ou é só um consolo para quem não conseguiu ticket para a coisa real?

As duas coisas.

Ciarán Hinds (Claudius) - Fotos: Johan Persson, National Theatre / Divulgação
Ciarán Hinds (Claudius) – Fotos: Johan Persson, National Theatre / Divulgação

Ophelia (Siân Brooke)
Ophelia (Siân Brooke)

Nenhuma outra produção teve ingressos esgotados tão rapidamente na história do teatro londrino (se eu pudesse, teria comprado para ver in loco).

Na quinta-feira, a peça foi transmitida ao vivo para cinemas de 25 países, além de várias salas no Reino Unido. Ao todo, mais de 225 mil pessoas no mundo assistiram à peça na quinta-feira.

No início, é estranho, porque não estamos acostumados com a linguagem do palco – que precisa ser exagerada – magnificada na tela do cinema. Mas, ao longo da peça, o espectador se acostuma.

Não é a primeira vez que o National Theatre (NT) coloca câmeras entre as fileiras de poltronas do teatro – pelo contrário, já passou de 20 o número de produções transmitidas ao vivo.

4. Laertes (Kobna Holdbrook-Smith). Hamlet (Benedict Cumberbatch). Photo by Johan Persson. (2) (1024x680)
Laertes (Kobna Holdbrook-Smith)
Karl Johnson (o fantasma do pai de Hamlet)
Karl Johnson (o fantasma do pai de Hamlet)

 

Para quem está no cinema, os enquadramentos dão detalhes que quem está no fundão do teatro não tem a oportunidade de ver.

Ao mesmo tempo, há equilíbrio, com ângulos mais abertos que não permitem que percamos a noção de que é teatro, sim, e não um filme de um cenário só.

Aliás, um cenário elaborado e que dá ao palco uma grande dimensão.

Não me surpreende que a atuação Cumberbatch seja excelente – e olha que não faço parte da legião de fãs do ex-Sherlock, só fui mesmo convecida, por outros papéis, de que ele é um ótimo ator.

HAMLET by Shakespeare, , Writer - William Shakespeare, Director - Lyndsey Turner, Set design -Es Devlin, Lighting - Jane Cox, The Barbican, 2015, Credit: Johan Persson/
A peça é dirigida por Lyndsey Turner

Uma das minhas partes preferidas de Hamlet é quando o protagonista passa a se fingir de louco. É quando a peça ganha outra dinâmica, a história toma outros rumos e o ator no papel-título cresce. Desta vez, não foi diferente.

Mas Anastasia Hille, como Gertrude (mãe do príncipe atormentado), também está impecável, ao ponto de eu até mudar um pouco minha opinião sobre a rainha!

Gertrude (Anastasia Hille)
Gertrude (Anastasia Hille), em uma das cenas mais tocantes

O Guardian publicou uma crítica, sob o ponto de vista de quem estava no Barbican, onde haverá o total de 80 apresentações da peça (ingressos esgotados).

HAMLET by Shakespeare, , Writer - William Shakespeare, Director - Lyndsey Turner, Set design -Es Devlin, Lighting - Jane Cox, The Barbican, 2015, Credit: Johan Persson/

No site da produção, é possível ver os lugares e datas das próximas transmissões (há salas em Birmingham que ainda irão mostrar NT Live: Hamlet).

Se puder, vá. Não é melhor do que ver ao vivo, no teatro em Londres, mas é melhor do que perder essa montagem, se você curte William Shakespeare ou Benedict Cumberbatch.

HAMLET by Shakespeare, , Writer - William Shakespeare, Director - Lyndsey Turner, Set design -Es Devlin, Lighting - Jane Cox, The Barbican, 2015, Credit: Johan Persson/

 

* Agradeço à assessoria de imprensa do National Theatre por responder ao meu pedido de fotos para esse post tão rapidamente (em um sábado!). As imagens são excelentes e ajudam a dar uma noção do que essa produção é.

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