Sideways Rain no Hippodrome

Sempre gostei de ver os pingos de chuva escorrendo pelo vidro da janela.

O coreógrafo Guilherme Botelho transpôs essa movimentação para o palco com a companhia de dança Alias no espetáculo Sideways Rain.

Em duas noites (29 e 30 de abril), as apresentações no Birmingham Hippodrome fizeram parte da programação do International Dance Festival Birmingham 2014 (IDFB).

Foto: Jean-Yves Genoud, Divulgação
Foto: Jean-Yves Genoud, Divulgação

Assisti ao espetáculo a convite da organização do IDFB. A premiada companhia de dança é baseada em Genebra, na Suíça, e liderada por Botelho, natural de São Paulo.

Sideways Rain se propõe a ser “uma metáfora para a energia primal que percorre todos os seres vivos”, retratando a evolução humana e nosso impulso natural para mudar constantemente e seguir em frente.

É incrível como a dança contemporânea é capaz de expressar isso, com 14 bailarinos.

A “fluidez” do espetáculo, que tem trilha sonora do mexicano Fernando Corona (conhecido como Murcof), é impressionante.

A (contínua) entrada e saída dos bailarinos do palco parece em looping e deixa o espectador em transe. Engatinhando ou correndo, é o próprio movimento da vida: pode ser calmo como uma gota deslizando pela vidraça no final da chuva ou pode nos deixar expostos, como maratonistas da Grécia Antiga. De vez em quando, a gente para e olha, mas o curso nos obriga a seguir – mesmo que a luz a sua frente seja forte demais para encarar. 

O ritmo da apresentação se mantém com o vigor dos corpos literalmente rolando pelo chão em momentos mais frenéticos. Interessante como o uso de um figurino bastante simples pode dar uma graça.

Foto: Jean-Yves Genoud, Divulgação
Foto: Jean-Yves Genoud, Divulgação

Em meio à repetição dos movimentos, quando o público já se acostuma com o entra-e-sai (assim como a gente se acostuma com o dia-a-dia), um simples gesto diferente ou a interação entre bailarinos crescem muito no palco e soam mais líricos. A iluminação usada no show contorna com perfeição seus diferentes momentos.

Fios prateados, de um lado a outro, preenchem gradualmente o palco para o final da apresentação. A fluência do espetáculo, que tem uma hora de duração, é garantida até os minutos finais e deixa uma sensação de encanto.

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Foto: Steward Helmley, Divulgação
Foto: Steward Helmley, Divulgação

Próximas apresentações do IDFB no Hippodrome

Kidd Pivot: Tempest Replica

> Sylvie Guillem: 6000 Miles Away

> Lord of the Flies

> Breakin’ Convention

> milonga

E mais:

> Festival Internacional de Capoeira & Carnaval, no mac birmingham (Cannon Hill Park)

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