As bibliotecas inglesas

* Post originalmente publicado em 10 de janeiro de 2011, no blog LondonMe, reproduzido abaixo com atualizações e edição. Observe que certos serviços mencionados neste texto e no original não estão mais em operação na Central Library, pois a mudança para o novo prédio já começou.

A relação que um inglês tem com uma biblioteca em sua cidade é completamente diferente do que ocorre no Brasil. Não vou nem entrar na questão que nosso povo não lê, mas obviamente influencia. O legal foi descobrir como uma biblioteca pode fugir daquela imagem de um local apenas abarrotado de livros amarelados e empoeirados (desculpem a rima).

Sócia de carteirinha!

Fui uma usuária de biblioteca em Porto Alegre, mas acho que a última vez que entrei em uma no Brasil foi no Real Gabinete de Leitura Português – para tirar fotos. Lá , elas não tinham o que eu queria ler. E uma livraria com café virou irresistível.

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Central Library, na Chamberlain Square – Foto: Melissa Becker

Ao todo, Birmingham tem 50 bibliotecas públicas – a Central Library, mais 49 nos bairros. Os acervos contam com livros recentes, clássicos, best-sellers, guias de viagem, manuais, CDs, DVDs etc. Jornais dos dias e revistas (acho que até as de fofoca) estão disponíveis. A carteirinha é gratuita.

Você pode reservar livros pela internet – o catálogo online é integrado, posso escolher um livro que originalmente pertence a uma unidade em outro ponto da cidade e, em alguns dias, receberei um e-mail avisando que o livro me aguarda (e acho que por mais de uma semana) na biblioteca do meu bairro ou de onde eu quiser retirar. Livros são mais baratos por aqui, mas, sem ter espaço para acumular coisas, virou uma solução perfeita.

O momento que mais utilizei a Central Library foi no meu primeiro mês em Birmingham. Sem internet em casa, eu ia lá checar meus e-mails – sócios tinham direito a 1h de internet grátis por dia.

O acervo de CDs tem inclusive álbuns de artistas brasileiros, principalmente MPB. Foi a única vez que tive que pagar por algo: £ 2,40 por um CD triplo e dois simples (não sei se os preços permaneceram o mesmo no novo espaço).

O tempo de empréstimo para livros atualmente é de três semanas.

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Uma biblioteca para o século 21 está sendo erguida em Birmingham e será inaugurada em setembro (veja aqui). O atual, construído na década de 70, será desativado em breve, pois tudo seguirá para um edifício megamoderno, projetado por um escritório holandês.

Há cerca de dois anos, fui a um evento de social media and building enviroment, com uma programação focada nesse projeto e em ferramentas digitais envolvidas ou que poderiam ser utilizadas.

“Passeamos” pelo prédio graças ao velho Second Life. Um aplicativo para celular, como os já existentes nos principais museus do mundo, pode ser desenvolvido, e o usuário pode colocar os pés na biblioteca e facilmente localizar o livro ou serviço que procura. Q codes seriam usados para dar informação extra sobre livros – como comentários dos últimos leitores, por exemplo, com a opção de acrescentar o seu. Existe o uso inteligente do espaço para os livros, e o ambiente é bem mais agradável.

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Mas nem tudo é perfeito no primeiro mundo. Bibliotecas no Reino Unido não escaparam dos cortes do governoThe Guardian publicou um mapa interativo com as bibliotecas que estão fechando ou diminuindo os horários de atendimento. E não são poucas. Em Birmingham, 40 unidades tiveram horários reduzidos (outro exemplo na região é Walsall, leia aqui). Resta torcer para que todas as mudanças que a crise econômica vêm trazendo ao Reino Unido não destrua o que funciona por aqui.

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P.S. (1), 11/01/2011: Birmingham ainda promove concursos periódicos para eleger as “caras” da biblioteca. Os rostos de algumas dessas pessoas decoram desde maio os tapumes das obras, que deverão ser renovados. Leia mais aqui.

P.S. (2), 13/01/2011: Boris Johnson, prefeito de Londres, anunciará medida para evitar fechamento de bibliotecas – leia aqui e atenção aos números da matéria: as bibliotecas de Londres recebem 52 milhões de visitas por ano (uma média de 7x por pessoa), e os londrinos retiram cerca de 40 milhões de livros por ano e sete milhões de CDs e DVDs. :O

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