A Arte de Viajar. Malta, 2016 - Foto: Melissa Becker

A Arte de Viajar, de Alain de Botton

Vou dividir minhas impressões sobre A Arte de Viajar, de Alain de Botton, antes de começar a publicar posts de viagens que fiz em 2016.

The Art of Travel, que, no Brasil, foi publicado pela Editora Intrínseca, foi o primeiro livro de Botton que terminei (explico depois). E gostei.

Não é um guia de viagens, mas nos conduz por lugares justamente com reflexões que não constam nesse tipo de publicação. Talvez nem poderiam, porque são baseadas em experiências e sentimentos do viajante.

Cada capítulo conta com uma personalidade como guia por diferentes lugares, do deserto do Sinai a Barbados.

Assim, temos o escritor francês Gustave Flaubert e sua fascinação pelo exotismo do Egito e a região da Provença pelo olhar do pintor holandês Vincent Van Gogh.

A Arte de Viajar - Foto: Melissa Becker
Van Gogh chegou à Provença em fevereiro de 1888 e capturou a luminosidade do local em suas pinturas: “abrindo os olhos dos outros” para essa parte do mundo

Essas estão entre as minhas partes favoritas de A Arte de Viajar, junto às histórias de Alexander Von Humboldt na América do Sul e do próprio Botton na Espanha.

 

Sobre a curiosidade do viajante

Claro que Botton pontua cada capítulo com suas próprias experiências e reflexões.

Quando aborda a curiosidade do viajante, ele contrasta o trabalho incansável do pesquisador alemão Alexander Von Humboldt na América do Sul com sua própria falta de vontade ao visitar Madri pela primeira vez.

“Não é você, Madri; sou eu”, Botton deveria ter dito. Isso porque a falta de empolgação que ele sentiu ao percorrer as ruas da capital espanhola não foi devido à falta do que ver por lá. O autor, por exemplo, critica que as placas apenas relatavam fatos históricos. Em todo o lugar é assim, mas ele foi encasquetar com isso na Espanha.

A Arte de Viajar. Plaza Mayor - Foto: Melissa Becker (2007)
“Mas, em Madri, tudo já era conhecido, tudo já fora medido”, relata Botton antes de falar da Plaza Mayor – Foto: Melissa Becker (2007)

Há uma crítica válida aos guias de viagens, que pode se extender ao ritmo no qual muitas viagens são feitas. Qual é a sua motivação por viajar? Guia-se menos pelo guia.

Às vezes, a gente simplesmente não está a fim. Admiro o escritor por admitir esse sentimento. Nem todos os dias são dias de wanderlust na vida de um viajante.

 

Meu “problema” com Botton

Apesar de esse estar na minha lista para ler há tempos, junto a outras obras do autor, minha primeira tentativa de ler um livro de  Alain de Botton foi com The Architecture of Happiness (A Arquitetura da Felicidade, pela Rocco).

Arte de Viajar. Casa Dançante, em Praga - Foto: Melissa Becker (2015)
Casa Dançante, em Praga: foi isso que Alain de Botton quis dizer com arquitetura da felicidade? – Foto: Melissa Becker (2015)

É um best-seller do fundador da Escola da Vida, em Londres (que, aliás, tem um ótimo canal no YouTube). Sempre gostei das entrevistas dele que assisti, com reflexões interessantes.

Raramente abandono um livro, mas não me senti empolga pelo texto para passar das primeiras páginas desse. Devolvi à biblioteca quando o empréstimo acabou, sem renovar.

Lembrei porque abandonei aquele ao ler o início de A Arte de Viajar. Por vezes, eu o acho prolixo e rebuscado. Ou eu estou ficando com menos paciência.

Ao longo de A Arte de Viajar, o texto flui, só faz mais voltas do que o necessário inicialmente.

Talvez o “choque” maior seja porque li em inglês, idioma no qual comecei a me acostumar com frases mais curtas e diretas. Para mim, exemplos de bom texto com frases longas são mais fáceis de encontrar em português. Talvez se eu tivesse lido a tradução, nem teria achado ruim.

Mesmo assim, há pelo menos mais um livro do suíço que quero ler. Como jornalista, Notícias: Manual do Usuário (em inglês, The News: A User’s Manual) consta na minha lista e tenho bastante curiosidade. Veremos se, com esse, eu perco essa impressão de Botton.

“Notícias: Manual do Usuário” será minha próxima leitura dos livros de Botton – Foto: Melissa Becker (Birmingham, 2010)

 

  • A foto no topo deste post foi feita durante umas das minhas viagens de 2016: passeio de barco pelas ilhas de Malta, no Mar Mediterrâneo. Relatos e vídeos da viagem em breve aqui no blog.

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