Dublin: capital literária

seloDublin

Muitas das atrações de Dublin estão ligadas a livros e à literatura. Mesmo que você não seja um leitor voraz, há pontos imperdíveis para incluir no seu roteiro. Confira o que vi e o que deixei de ver no meu último e-mail desta série sobre a capital irlandesa:

 

Na antiga biblioteca do Trinity College, o espaço conhecido como Long Room - Fotos: Melissa Becker
Antiga biblioteca do Trinity College – Fotos: Melissa Becker

Book of Kells e Old Library

Fundado em 1592 pela Rainha Elizabeth, o Trinity College Dublin é a principal universidade da Irlanda, mas atrai visitantes por abrigar uma das mais belas iluminuras do mundo: o Book of Kells. O manuscrito, escrito por volta do ano 800 DC por monges irlandeses, é composto por 680 páginas em pergaminho, com os quatro Evangelhos em latim.

O rico trabalho em cada página é impressionante. A exposição explica a simbologia usada pelos monges nas ilustrações e os materiais usados. A versão digitalizada está disponível online.

Acredita-se que os religiosos deram início ao trabalho em um monastério em Iona, uma ilha na costa escocesa, e o finalizaram em Kells, no condado de Meath, no norte da Irlanda. Mais tarde, foi enterrado no chão para ser protegido de ataques vikings e, quando redescoberto, foi enviado ao Trinity College por volta de 1653.

Old Library, Long Room - Foto: Melissa Becker

Após admirar o manuscrito, o visitante segue para a velha biblioteca da universidade – mais precisamente, ao Long Room, com 65 metros de comprimento e cerca de 200 mil dos livros mais antigos da instituição. A harpa em exposição é a mais antiga encontrada na Irlanda, provavelmente do século 15. Além disso, uma das cópias remanescentes da proclamação da República da Irlanda, em 1916, pode ser conferida.

 

chester beatty library - Foto: Melissa Becker

Chester Beatty Library

A beleza de escrituras sagradas do cristianismo, do islamismo e do budismo é o destaque da coleção da Chester Betty Library. Há fragmentos das cópias mais antigas da Bíblia, em papiro, manuscritos ricamente decorados e outras peças raras dessas religiões, além de peças relacionadas a outras crenças.

A coleção foi sendo composta no início do século 20, durante as viagens do milionário americano Chester Beatty a países da Ásia, do Oriente Médio, do norte da África e da Europa, e hoje pode ser conferido nas proximidades do castelo de Dublin. Vale a pena assistir ao vídeo introdutório para conhecer um pouco do caráter de Beatty.

Não é um acervo qualquer: o colecionador tinha um apurado senso estético e procurava peças que, além de raras, eram belas. Robes chineses, livros em jade, materiais para caligrafia japonesa e um astrolábio iraniano são apenas alguns dos itens em exposição nesta biblioteca e museu de arte, com entrada franca.

chester beatty library - Foto: Melissa Becker

Além do terraço, há belos jardins ao redor do prédio.

 

DublinWriters2 - Foto: Melissa Becker
Frases de Bram Stoker, James Joyce e Oscar Wilde em fachada de pub em Dublin
Dublin’s Writer Museum

Museu pequeno, mas necessário: a personalidade e o talento de escritores de Dublin não poderiam ficar apenas em seus livros. O Dublin’s Writer Museum, na 18 Parnell Square, serve tanto para iniciantes em literatura irlandesa – como eu –, quanto para iniciados.

Dublin Writers Museum - Foto: Melissa Becker

A capital irlandesa foi designada pela Unesco como cidade literária, e se pode sentir e. No museu, pode-se saber mais sobre escritores como Oscar Wilde e James Joyce e ver uma primeira edição de Drácula, de Bram Stoker. Não deixe de ir ao segundo andar, para visitar a esplêndida Galeria dos Escritores.

Com entrada a € 7.50 para adultos, o local merece maiores investimentos para incrementar seu potencial.

DublinWriters2 - Foto: Melissa Becker
Anúncio do Festival dos Escritores de Dublin em livraria na região de Temple Bar

 

O que não vi em Dublin… e ficou para a próxima

Adoro quando encerro a visita a uma cidade com uma lista de lugares que gostaria de ter conhecido, mas que não deu tempo. Gosto da sensação de sempre ter mais a se descobrir – e quem sabe não motivar uma futura viagem? Anoto aqui as atrações que ficaram para a próxima.

> Ron Black’s Dawson Lounge, o menor pub de Dublin (capacidade máxima: 20 pessoas!)

> Uma peça de teatro de Oscar Wilde

National Gallery of Ireland (estava fechada nos dias em que eu estava em Dublin)

> National Museum of Ireland (na verdade, são quatro, com temas diferentes)

> Kilmainham Gaol (uma palavra que aprendi em gaélico desta vez: gaol significa prisão. Esta, no caso, é hoje um museu)

> St Patrick’s Cathedral Dublin (padroeiro irlandês)

> Whitefrair Street Church (onde estão os restos mortais de São Valentim, o dos namorados)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *