Orgulho inglês em DIY: faça você mesmo

DIY - B&Q, Reprodução
Imagem: Propaganda B&Q, Reprodução

Desde que me mudei para a Inglaterra, me admira como o povo aqui é adepto da filosofia do DIY (abreviatura para Do it Yourself, faça você mesmo). Eles têm uma mente aberta para aprender trabalhos manuais (muitas vezes, sozinhos) e colocar em prática em sua própria casa.

É só ir à biblioteca pública inglesa para encontrar uma diversidade de manuais. Marcenaria, jardinagem e costura, por exemplo, são hobbies, considerados gratificantes.

Essa habilidade ajuda bastante na economia doméstica, já que os valores de mão-de-obra no Reino Unido são altos se comparados com o Brasil.

Eu pensava que essa era a única razão que os levava a investir no DIY, na minha mentalidade brasileira. A questão é mais complexa do que isso.

 

A casa de um inglês é seu castelo

An Englishman’s home is his castle, diz o ditado. Mas para a antropóloga social Kate Fox, a casa de um inglês é mais do que isso.

Em seu ótimo livro Watching the English: The Hidden Rules of English Behaviour (Observando os Ingleses: As Regras Veladas do Comportamento Inglês, em tradução livre, leve e solta), a especialista explica que, para os ingleses, a casa é a expressão primária de sua identidade, seu principal indicador social e uma obsessão.

Por esses motivos, uma casa não é algo que passivamente “se possui” na Inglaterra, mas algo que “se faz”. Existem diferenças entre classes sociais, mas acredito que se possa generalizar neste ponto.

Qualquer reforma é acompanhada por várias canecas de chá.

Há um ano, essa propaganda da britânica B&Q (uma das grandes lojas de materiais de construções e afins – tipo um Tumelero, mas com unidades bem maiores) passava a toda hora na TV e eu achava irritante.

Assistindo agora, depois de ler o livro da Kate, acho ela perfeita para o público-alvo.

 

 

Choque cultural

Rola um choque cultural para mim em relação ao DIY da média inglesa.

Primeiro, porque não tenho o talento brasileiro nem para a gambiarra, muito menos para reformas – e, para mim, o DIY inglês é um passo (ou dois) mais profissional do que a gambiarra, embora bem menos criativo. Só pinto parede mesmo, e olhe lá.

Segundo, porque minha solução para a falta de talento seria contratar um profissional. Mas os motivos explicados acima (e aí ocorre o choque cultural com meu marido!) tornam isso inviável no momento.

Mas é em imóveis alugados que se pode ver o pior do DIY inglês. Se você já alugou casa ou apartamento na Inglaterra, vai se irritar em como as coisas são feitas muitas vezes. Afinal de contas, o proprietário (landlord) não vai morar ali, então, por que ser detalhista?

Pintar papel de parede é normal, já percebeu? Na minha opinião, isso não é fazer um trabalho direito!

Para os ingleses, a satisfação de dizer “feito por mim” e de colocar uma marca pessoal na própria casa é maior do que atingir a perfeição.

 

Você também se aventura no DIY?
Ou já se deparou com algum resultado medonho?

4 thoughts on “Orgulho inglês em DIY: faça você mesmo

  1. Olá, realmente esta propaganda diz tudo, adora o DIY, mas a linha entre o faça você mesmo e o de qualquer jeito é muito delicada, haha.
    É preciso ter em mente que o barato as vezes sai caro.
    bj

  2. Quando alugávamos casa e flat o Marek vivia falando disso, de como era o acabamento e outras coisas dos imòveis. Ele ficava louco da vida do “tapa” q davam e falavam “tá tudo novinho, eu gastei não sei qtas libras nisso”… Mas o Marek entende disso né então ele só ficava olhando “aham.. Tá bom” haha

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